COBERTURA ESPECIAL - America Latina - Geopolítica

04 de Julho, 2018 - 00:02 ( Brasília )

México - López Obrador pedirá ajuda ao Papa Francisco para impulsionar paz




O esquerdista Andrés Manuel López Obrador (ou AMLO como é conhecido), prometeu na terça-feira (3JUL2018) uma transição ordenada quando assumir a presidência do México, que convidará o papa Francisco para "alcançar a paz no país" e anunciou um encontro nos próximos dias com o secretário de Estado americano, Mike Pompeo.

"Hoje vou falar (com seus colaboradores) da convocação de dirigentes religiosos, de direitos humanos, a ONU, para começar este encontro com o propósito de alcançar a paz em nosso país (...) Vamos convidar o papa Francisco", disse em entrevista coletiva após se reunir com o presidente em fim de mandato, Enrique Peña Nieto.

López Obrador também adiantou que se reunirá com o secretário americano de Estado, Mike Pompeo, o que mais tarde foi confirmado pela presidência do México ao mencionar que o funcionário visitará o país em 13 de julho para se reunir com Peña Nieto e com o chanceler mexicano, Luis Videgaray.

Na segunda-feira, López Obrador conversou com o presidente americano, Donald Trump, e disse que se desenrolou "em ótimos termos e (de forma) respeitosa", e propôs um acordo de desenvolvimento econômico no México para reduzir a migração.

López Obrador e Peña Nieto conversaram em particular durante mais de uma hora no Palácio Nacional, onde o esquerdista deu uma entrevista coletiva que não contou com o presidente em fim de mandato.

Disse que foi um encontro "muito bom, amigável", no qual abordaram diferentes temas, desde a necessidade de manter um ambiente econômico estável até a renegociação do Acordo de Livre-Comércio da América do Norte(Nafta) com Estados Unidos e Canadá, passando pelo vital tema da segurança.

Em sua terceira tentativa consecutiva de chegar à presidência, López Obrador, de 64 anos e do partido Morena, venceu nas eleições gerais de domingo com cerca de 53% dos votos, mais de 30 pontos percentuais à frente do segundo colocado.

López Obrador, que assumirá a presidência em 1º de dezembro, disse que buscará fazer uma transição ordenada e sem sobressaltos, sobretudo na parte econômica.

"Neste período temos que entrar em acordo em muitos temas, principalmente em conseguir que a transição ocorra de maneira ordenada, sem sobressaltos, com confiança em temas econômicos e financeiros", disse.

Acrescentou que a convite de Peña Nieto participará da cúpula da Aliança do Pacífico - o grupo de livre-comércio conformado por México, Peru, Chile e Colômbia - que acontecerá em 24 e 25 de julho no balneário de Puerto Vallarta, no estado de Jalisco.

O presidente eleito disse que na negociação do Nafta manterá, por enquanto, a equipe negociadora de Peña Nieto, mas que incorporará colaboradores seus.
Sobre a construção do novo aeroporto da capital - durante a campanha, ele pediu seu cancelamento, ao assinalar que era um "esbanjamento" de recursos -, declarou que a equipe técnica inciará uma análise "do que é mais conveniente ao interesse geral".

Reiterou que o novo governo respeitará a autonomia do banco central e o regime de livre flutuação do tipo de câmbio.

- 'Vou cuidar das pessoas' -

Em dois dias, López Obrador mostrou sua particular forma de fazer política, seguido de meios de comunicação em motocicletas e, às vezes, de helicóptero. "Sem esmagar", pediu com um sorriso.

Criou polêmica por negar a proteção de guardas presidenciais, anda habitualmente em um carro compacto e permite que as pessoas se aproximem. A polícia reage rapidamente. Apenas conseguiu manter a ordem do lado de fora do Palácio Nacional, em Zócalo.

Como prometeu na campanha, López Obrador disse que não usará as aeronaves oficiais, que viajará "em aviões comerciais e por terra" e que não morará em Los Pinos, a residência que, por décadas, os presidentes viveram e trabalharam.

"Vou cuidar das pessoas, do povo", disse.

Assegurou que ajustará a diminuição dos salários dos funcionários públicos e que ele, pessoalmente, ganhará a metade do salário do presidente em fim de mandato e sem a compensação adicional.

Centenas de pessoas se concentraram para expressar o seu apoio.

Gabriel Ibarra, comerciante de 60 anos, disse estar emocionado de ver López Obrador entrar no Palácio Nacional pela primeira vez.

"Estive trabalhando em uma casinha eleitoral contando os votos sem cobrar um quinto. Faço por amor, pela minha pátria", declarou.

Em seu ambicioso projeto de nação 2018-2024, López Obrador pretende fazer um resgate do campo, revisar os milionários contratos derivados da reforma energética e ter um governo "austero, sem luxos nem privilégios"


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