COBERTURA ESPECIAL - Mão Amiga - Defesa

18 de Setembro, 2018 - 11:30 ( Brasília )

Forças Armadas apoiam ações sociais na Região Norte do Brasil


Júlia Campos

Atendimento médico em aldeia indígena no Maranhão

A quase 90 quilômetros de Imperatriz, no Maranhão, a aldeia São José, etnia Krikati, tem vivenciado algo inédito para a saúde indígena na localidade. Desde o feriado da Independência, a comunidade recebe atendimento médico especializado, inclusive com procedimentos como cirurgias de catarata e hérnia.

A iniciativa conta com a parceria do Ministério da Defesa em apoio ao trabalho da organização não governamental Expedicionários da Saúde (EDS), que atuam no Sesai em Ação, programa desenvolvido pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde.

Responsável pela logística, a cargo das Forças Armadas, o Ministério da Defesa tem papel essencial na ação. A primeira atribuição teve início em 21 de agosto, quando a Força Aérea Brasileira fez o transporte dos equipamentos médicos até o aeroporto de Imperatriz. De lá, o 50º Batalhão de Infantaria de Selva (50º BIS) ficou encarregado de levar o material até a aldeia, cerca de 17 toneladas de equipamentos.

Durante cinco dias, além de fazer o transporte, 68 militares do Exército montaram as bases de atendimento médico na comunidade. Após uma parada para atualizar o planejamento, os militares estão no local desde 3 de setembro.

Os integrantes do 50º BIS estão divididos em cinco grupos comandados pelo capitão Francisco Airton Ferreira Filho: equipe de segurança, apoio para cozinha, instalações das comunicações (sinal de internet para manter contato com o batalhão), serviços gerais e padioleiros (responsáveis pelo apoio no centro cirúrgico).



Para o comandante do 50º BIS, coronel Lautier Barbosa de Azevedo, é uma grande satisfação contribuir com a qualidade de vida do povo indígena maranhense. “Sem dúvida alguma faz parte da missão constitucional das Forças Armadas colaborar para o desenvolvimento social do país. Eu, como comandante, digo que é um grande orgulho poder auxiliar nesse trabalho”, afirmou.

Os militares também fazem a logística de transporte dos pacientes e acompanhantes para outras aldeias, disponibilizam internet por meio de uma satélite instalado no local, dão apoio de infraestrutura, como banheiros e barracas disponibilizadas para o alojamento dos voluntários, além do apoio de subsistência. Foram montados dois centros cirúrgicos, além das tendas para atendimento clínico.

O cacique da aldeia São José, João Grossa Krikati, está muito grato pelo que as forças têm feito pela população local, “Muito bom para o nosso povo, pois com a segurança e a logística, fizeram isso acontecer para a gente”, disse.

Saúde

Os atendimentos começam às 7h com o cadastramento dos pacientes. Eles são direcionados para as especialidades e atendidos pelos médicos voluntários. Tudo é feito por meio de um Complexo Hospitalar Móvel, em que a ONG Expedicionários da Saúde leva atendimento médico especializado, principalmente cirúrgico, às populações indígenas que vivem isoladas.

Por conta do intenso contato com a luz solar, há alta incidência de doenças como a catarata entre essa população indígena. O demasiado esforço físico feito pelos índios também provoca o desenvolvimento de hérnias inguinais e abdominais. Com esses atendimentos no Maranhão, os voluntários chegam a 41º Expedição da Saúde.

A coordenadora da ONG, Márcia Abdala ressaltou a importância da atuação do Ministério da Defesa. “Sem vocês, nada seria possível, pois não teríamos como trazer nossos equipamentos. Espero que continuem nos ajudando para que esse trabalho possa seguir”, agradeceu. O também coordenador, Ricardo Affonso Ferreira vê que, com tantas parcerias, o projeto tem se fortalecido cada vez mais. “Isso está fazendo que com que consigamos atingir com mais eficiência e qualidade a nossa missão. Cuidando da vida, preservando a floresta”, ressaltou.

“Essa logística é muito pesada e só um órgão com muita expertise na área conseguiria fazer com tanta eficiência e em um tempo tão curto. Sem a mão amiga é impossível esses eventos ocorrerem”, destacou o coordenador-geral do Distrito Sanitário Especial Indígena do Maranhão (DseiI/MA), Alexandre Oliveira Cantuária.

Apesar dos atendimentos serem feitos na Aldeia São José, a etnia Krikati tem outras populações no estado que também foram assistidas. De 7 a 12 de setembro, foram feitas, aproximadamente, 4 mil consultas e 250 cirurgias somente na Aldeia São José, além dos mais de 1,5 mil atendimentos clínicos em comunidades próximas. O Sesai em ação prossegue até 20 de setembro.

Pacientes

Entre os pacientes, José Borges Krikati, 56 anos, fez a cirurgia de catarata na quarta-feira (12). Ele ainda está em fase de recuperação, mas percebeu uma melhora na visão e está grato por tudo que tem ocorrido nos últimos dias. “Para falar a verdade, eu achei que nunca ia acontecer esse serviço dentro da aldeia. Tem sido muito bom e o pessoal tem gostado muito, deu certo para toda comunidade”, afirmou.



Marineuza Krikati é da aldeia Jerusalém e fez um procedimento na orelha. Com dificuldade para conseguir atendimento na rede pública, ela ressalta que por morar “longe da cidade para conseguir consultar às vezes demora anos ou nem acontece. Aqui foi tão fácil, eu agradeço a Deus por ter aberto essa porta para nós e a toda essa equipe que esteve aqui”, celebrou.

Na quinta-feira (13), o secretário da Sesai, Marco Antônio Tocollini, esteve na aldeia para ver o trabalho de perto e ouvir a população indígena. Para ele, que está no cargo desde fevereiro de 2017, é notória a necessidade do apoio do Ministério da Defesa.

“É uma ação de guerra, devido às condições que os índios vivem, no meio da floresta, do cerrado e em áreas de difícil acesso.Só as Forças Armadas têm condições que chegar nesses locais. Nós não temos como abrir mão dessa parceria. Não basta ter um excelente um médico e equipamentos, sem ter como chegar às comunidades”, destacou.

Na ocasião, os caciques das aldeias atendidas agradeceram todos os órgãos envolvidos com uma recepção e presentes. Até 20 de setembro, mais de 150 voluntários do Dsei/MA e mais de 80 da ONG Expedicionários da Saúde vão continuar trabalhando na comunidade. Os militares ficarão responsáveis por toda a desmontagem da estrutura.

O Ministério da Defesa foi representado pelo coronel Juraci Muniz de Santana, da Seção de Operações Complementares (integrante da Subchefia de Operações) .  Para ele, a  participação das Forças Armadas é de extrema importância, pois elas são responsáveis por promover o desenvolvimento nacional e o bem estar social.

Além disso, destacou o sucesso de mais uma missão interministerial.  "Ficamos muito felizes em saber que essa parceria já deu certo. Nosso apoio tem uma importância em todas as ações que o Ministério da Saúde precisa", afirmou.


Comitiva visita Profesp na Região Norte¹

Satisfação, alegria, encantamento e orgulho de ser brasileiro foram algumas das expressões externadas pelos componentes da comitiva composta por militares e civis, durante a viagem à Amazônia, no período de 12 a 14 de setembro. O grupo acompanhou as atividades desenvolvidas pelo Programa Segundo Tempo - Forças no Esporte (Profesp), em Manaus, São Gabriel da Cachoeira e Tefé, municípios amazonenses, e na capital de Rondônia, Porto Velho.

A comitiva, chefiada pelo o secretário de Pessoal, Ensino, Saúde e Desporto, do Ministério da Defesa (MD), brigadeiro Ricardo Machado Vieira, contou com a presença de representes do Ministério da Defesa, Ministério do Esporte (ME), Ministério do Desenvolvimento Social (MDS),  Senado Federal, Câmara dos Deputados,Marinha, Exército, Força Aérea, Secretaria Nacional de Justiça (SNJ),  Receita Federal, Pestalozzi, e Federação Nacional das Associação de Pais e Amigos do Excepcional (Apae).

O brigadeiro Machado destacou que o sucesso do projeto não é garantido apenas com recursos financeiros, mas boa vontade é fundamental. Ele destacou que o projeto tem na prática de esporte o grande atrativo. Mas não é só esporte, os participantes têm a oportunidade de participar de outras atividades, dependendo da disponibilidade do local, tais como aula de reforço, música, prática de artes marciais, natação, visitas a museus etc. “É bonito quando se trabalha com uma equipe tão boa, com colaboradores comprometimentos e comandantes empenhados”, ressaltou o brigadeiro Machado.

A viagem teve início por Manaus. A comitiva foi recepcionada no aeroporto e conduzida para a Ala 8, onde pode acompanhar encenação teatral em que crianças aprenderam sobre higiene pessoal. A seguir, grupo foi para o 1º Batalhão de Operações Ribeirinhas (1º BtlOpRib), pertencente à Marinha, e para o 1º Batalhão de Infantaria de Selva (1º BIS), do Exército.

“Para mim foi uma honra e um orgulho ter testemunhado a abnegação, resiliência, dedicação, comprometimento, amor à Pátria, e, sobretudo, o exemplo de amor ao próximo dos nossos militares”, destacou Ana Beatriz Goldstein, diretora da Seccional-Brasília das Voluntárias Cisne Branco e pertencente à Pestalozzi.

Em São Gabriel da Cachoeira e Tefé, o grupo conheceu militares que atuam na defesa das fronteiras brasileiras e também se dedicam às atividades do Profesp. O comandante 17º Batalhão de Infantaria de Selva (17º BIS), em Tefé, coronel Jorge Antônio Santos Costa, disse que comandar uma unidade de selva é a realização de um sonho e poder desenvolver o projeto em sua unidade é uma oportunidade maravilhosa. Pois, além do realizar um trabalho importante para o país também contribuiu para o crescimento de crianças que necessitam em um lugar tão distante.



Em Porto Velho, a comitiva conheceu as atividades oferecidas na Ala 6, e pode verificar como as crianças estão envolvidas, tanto no aspecto esportivo quanto lúdico. Elas participam de aulas de flauta, futebol, atletismo e natação.

O diretor do Departamento de Desporto Militar (DDM) do Ministério da Defesa, general Jorge Antonio Smicelato, disse que o sentimento final é de que podemos fazer muito pelas crianças.

 

Referindo-se ao projeto João do Pulo, que está em fase de implantação e destinado a crianças com deficiência, o general Smicelato esclareceu que também poderá atender componentes da família militar, diferentemente do Profesp.

Dentre os participantes da comitiva, Nilson Alves Ferreira, da Associação de Pais e Amigos do Excepcional (Apae), de Tocantins, destacou que pôde perceber a importância do Profesp na vida dos alunos, das famílias deles, bem como para a comunidade em razão da inserção social proporcionada aos integrantes do projeto.

O funcionário do Senado Federal, José Edmar de Queiroz disse que até então não conhecia nada da Amazônia, tampouco havia tido qualquer contato com militares. “Para mim, a viagem foi mais que Profesp - programa cujos méritos são evidentes-, foi uma verdadeira aula sobre o nosso país”, avaliou. E completou: “Tanta beleza no tapete verde da selva recortada por rios, tanto entusiasmo dos militares nas cidades no meio da floresta, dos professores indígenas que conheci e das crianças felizes nas atividades esportivas”, resumiu.  

¹Por comandante Cleber Ribeiro, Fotos Keven Cobalchini/MD  e Assessoria de Comunicação Social (Ascom)  Ministério da Defesa.

 


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